Avaliação: Mitsubishi Eclipse Cross usa nome polêmico, mas custo/benefício e desempenho fazem dele um bom SUV

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Gearheads de todas as partes do mundo celebraram quando a Mitsubishi decidiu ressuscitar o Eclipse. Até a hora de descobrir que ele não seria um esportivo e sim um SUV. Só que nem tudo está perdido: por trás do nome emblemático está uma das melhores opções do segmento da moda no Brasil.

O Eclipse está um degrau acima dos SUVs compactos como Jeep Renegade e Honda HR-V. Assim ele também se posiciona no preço, que fica mais próximo de Jeep Compass, Toyota RAV4 e Peugeot 3008, apenas para citar alguns exemplos.

Eclipse Cross tem tração integral só na versão HPE-S (foto: Tom Papp/divulgação)

Claro que ele não é uma pechincha, mas quem desembolsar R$ 151.990 levará para casa um carro bem recheado. As duas versões (HPE e HPE-S) são importadas com itens como 9 airbags, piloto automático adaptativo, ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura, frenagem autônoma de emergência, rodas de liga leve de 18 polegadas, sensor de pressão dos pneus, alerta de colisão frontal, monitoramento de pontos cegos, alerta de permanência em faixa de rolamento, head up display, assistente de partida em rampas e alerta de colisão traseira.

Econômico e bom de curva

A versão avaliada por nós foi a HPE-S, cuja principal diferença em relação à configuração de entrada é o sistema de tração integral. Por ele acrescentam-se R$ 8 mil, elevando a conta para R$ 159.990.

A motorização é a mesma nas duas versões, e inédita na gama Mitsubishi à venda no Brasil. Trata-se de um 1.5 turbo que entrega 165 cv a 5.500 rpm e 25,4 kgfm entre 2.500 e 3.000 rpm. Por enquanto ele roda apenas com gasolina, mas a fabricante já antecipou que o conjunto não só está adaptado para a porcentagem de etanol no combustível brasileiro como pode virar flex sem muito trabalho.

Motor 1.5 turbo faz o SUV ser bom de dirigir (foto: Tom Papp/divulgação)

Chama atenção pelo comportamento dinâmico, principalmente na estrada. Números divulgados pela Mitsubishi indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 11,1 segundos e velocidade máxima de 195 km/h. Embora não seja um exemplo de agilidade, é fácil passar dos 120 km/h sem perceber – daí a importância de recorrer ao piloto automático em viagens longas.

Só que o câmbio CVT simulando oito marchas “corta” um pouco o barato de acelerar o SUV. Em contrapartida, a suspensão mais dura faz o carro ser extremamente estável e bom de guiar em estradas sinuosas – fazendo jus ao nome Eclipse, tão associado com esportividade.

Não é só no desempenho que o SUV brilha. Ele também é muito econômico, como constatamos em uma viagem de quase 550 km de ida e volta, da capital São Paulo até Penedo, no Rio de Janeiro. Chegamos até lá com menos de um tanque, incluindo três pessoas a bordo mais bagagem no bom porta-malas de 473 litros. O computador de bordo indicava média de quase 14 km/l, bem superior às marcas informadas pelo Inmetro.

Estilo polêmico

Estilo é quase tão polêmico quanto o nome (foto: Tom Papp/divulgação)

Nosso test-drive não teve apenas estradas bem pavimentadas. Enfiamos o Eclipse em trilhas de terra batida e até com trechos de lama. E ele honrou o sobrenome “Cross”, superando com facilidade pedras e pisos escorregadios.

Talvez você não goste muito do design – como eu não curti no começo. Porém, a convivência me fez acostumar com as linhas ousadas. O estilo polêmico da traseira lembra o antigo Citroën C4 VTR com o vidro dividido em duas partes. É um pouco estranho ver uma “barra” dividindo sua visão pelo espelho retrovisor, mas essa solução até que é útil na hora de dar marcha a ré. A dianteira é mais bem resolvida, seguindo a nova identidade visual da marca japonesa.

Curtiu essa traseira? A gente achou… diferente (foto: Tom Papp/divulgação)

O interior não repete a ousadia do lado de fora. Os materiais são de boa qualidade e as peças são bem encaixadas, apesar da quantidade excessiva de plásticos pela cabine. A central multimídia de oito polegadas vem do mesmo fornecedor utilizado pela Nissan – apenas uma coincidência, mesmo lembrando que as marcas japonesas fazem parte da mesma aliança. Poderia ter uma interface mais bonita e ser mais fácil de operar (parear seu telefone celular não é tarefa das mais simples), mas oferece os recursos básicos para ter uma boa vida a bordo.

Cabine tem bom acabamento, mas visual é mais careta (foto: Tom Papp/divulgação)

Os bancos revestidos em couro são muito confortáveis e apoiam bem o corpo por períodos longos. Alguns porta-objetos, porém, poderiam estar mais bem distribuídos: o nicho à frente da alavanca de câmbio, por exemplo, é raso demais para acomodar algo além de uma carteira pequena. O SUV também não é referência em espaço interno, embora ofereça conforto de sobra para quatro adultos e uma criança.

Bancos são confortáveis; espaço é satisfatório para quatro adultos (foto: Tom Papp/divulgação)

Se você procura um SUV econômico e bem equipado vale a pena conhecer melhor o Eclipse Cross. Ele pode não ser bonito como o Peugeot 3008 ou badalado como o Jeep Compass, mas é feito sob medida para quem gosta de dirigir.

 

Ficha técnica: Mitsubishi Eclipse Cross HPE-S

Motor: 1.5, 16V, turbo, quatro cilindros em linha

Potência: 165 cv a 5.500 rpm

Torque máximo: 25,5 kgfm, de 2.000 rpm a 3.500 rpm

Câmbio: CVT (simula 8 marchas)

Consumo: 10,2 km/l (cidade) / 11,6 km/l (estrada)

Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,1 segundos

Velocidade máxima: 195 km/h

Dimensões: 4,40 m (comprimento), 1,68 m (altura), 1,80 m (largura), 2,67 m (entre eixos)

Preço: R$ 159.990 (versão avaliada)

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